A Igreja que Comprometeu a Fé

Nesta semana, analisamos a igreja que comprometeu a fé: a Igreja de Pérgamo. A cidade também era chamada de Pérgamo — hoje a histórica cidade de Bergama, na Turquia. Sua cultura e localização podem ter contribuído para que ela cedesse a compromissos indevidos. O rio Caico passava perto da cidade, tornando a região fértil e ideal para a agricultura, além de facilitar o acesso, o que era vital para o comércio. A localização também facilitava o acesso das pessoas aos templos próximos ao rio para adorar seus deuses pagãos. O comprometimento da fé parecia inevitável. Por isso, é compreensível que Jesus tenha dado a essa igreja uma advertência severa.
“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreva: ‘Assim diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: “Conheço as suas obras e onde você habita, onde está o trono de Satanás. Contudo, você permanece fiel ao meu nome e não negou a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, que foi morto entre vocês, onde Satanás habita. No entanto, tenho algumas coisas contra você: você tem aí alguns que sustentam a doutrina de Balaão, que ensinou Balaque a colocar uma pedra de tropeço diante dos filhos de Israel, levando-os a comer coisas sacrificadas a ídolos e a praticar a imoralidade sexual. Da mesma forma, você tem alguns que sustentam a doutrina dos nicolaítas, coisa que eu odeio. Arrependa-se! Caso contrário, virei rapidamente até você e lutarei contra eles com a espada da minha boca. Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei do maná escondido para comer. Também lhe darei uma pedra branca e, nela, um novo nome escrito, que ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.”’” — Apocalipse 2:12-17
Talvez você se lembre de que Balaão era um profeta movido pela ganância, contratado por Balaque, o rei de Moabe, para amaldiçoar os israelitas. Ele estava espiritualmente comprometido, era corrupto e mundano. Tudo isso criou pedras de tropeço para o povo de Deus. A Igreja de Pérgamo enfrentava muitos obstáculos em seu caminho, alguns dos quais ela mesma criara. Ao contrário da Igreja de Éfeso, que detestava as obras dos nicolaítas assim como Jesus, a Igreja de Pérgamo abraçou a doutrina dos nicolaítas, os quais se entregavam à imoralidade, ao adultério e à idolatria sob o pretexto de liberdade cristã. Contudo, essa igreja manteve firme a sua fé e contou com o testemunho de Antipas, o mártir fiel, morto em um lugar "onde Satanás habita", "onde está o trono de Satanás". Por que Jesus a descreveu dessa maneira? As Barnes' Notes on the Bible (Notas de Barnes sobre a Bíblia) nos oferecem alguns esclarecimentos.
"Onde está o trono de Satanás" — Um lugar de extrema maldade, como se Satanás ali habitasse. É como se Satanás estivesse entronizado naquele local. A influência de Satanás em incitar a perseguição é o ponto central da alusão, como fica evidente pela referência imediata ao caso de Antipas, o "mártir fiel".
Pérgamo não era, de forma alguma, uma cidade justa. Mas será que Jesus caracterizou a cidade como o lugar onde Satanás habita devido à maneira como seus habitantes adoravam Esculápio, que, à época, era o deus greco-romano da medicina e da cura? Além disso, a cidade abrigava muitos templos pagãos. Não é de surpreender, portanto, que cristãos fossem mortos ali, visto que professavam servir ao único Deus verdadeiro. A obra Vincent's Word Studies aprofunda-se nos acontecimentos da cidade naquele período.
Todas as principais vias da Ásia Ocidental convergiam para lá. Pérgamo era famosa pela produção de unguentos, cerâmica, tapeçarias e pergaminho — material que, inclusive, deriva seu nome (*charta Pergamena*) da própria cidade. Ela abrigava um templo célebre e muito frequentado dedicado a Esculápio, adorado na forma de uma serpente viva alimentada dentro do santuário. Por isso, Esculápio era chamado de "Deus de Pérgamo"; nas moedas cunhadas pela cidade, ele frequentemente aparece acompanhado de um bastão envolto por uma serpente. A grande glória da cidade era o Nicefório, um bosque de grande beleza que reunia um conjunto de templos. A cidade foi descrita como uma espécie de fusão entre uma cidade-catedral pagã, uma cidade universitária e uma residência real, embelezada ao longo dos anos por reis que compartilhavam a paixão por gastos suntuosos e dispunham de amplos recursos para satisfazê-la.
O bastão envolto por uma serpente remete-me à história dos israelitas no deserto, que se queixaram contra Deus e Moisés; em Sua ira, Deus enviou serpentes venenosas para mordê-los, e muitos morreram. Mais tarde, porém, em Sua misericórdia e após a confissão do pecado pelo povo, Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente e a fixasse em uma haste, para que todo aquele que tivesse sido picado e olhasse para essa serpente de bronze sobrevivesse. Satanás é ardiloso e enganador. Veja como esse falso deus possuía um símbolo de cura semelhante. A medicina moderna também adotou esse bastão com a serpente como seu símbolo. É um tanto assustador quando penso nisso. O site da Organização Mundial da Saúde afirma o seguinte:
O cajado com a serpente tem sido, há muito tempo, um símbolo da medicina e da profissão médica. Ele remonta à história de Asclépio, reverenciado pelos antigos gregos como o deus da cura e cujo culto envolvia o uso de serpentes. Asclépio, aliás, foi tão bem-sucedido em salvar vidas que — segundo a lenda — Hades, o deus do submundo, queixou-se dele a Zeus, o deus supremo; este, temendo que o curador pudesse tornar os humanos imortais, matou Asclépio com um raio.
O deus da cura foi morto. Felizmente, temos um Deus que traz uma espada afiada de dois gumes em Sua boca; Ele vive e jamais morrerá novamente. É Ele quem nos renova e nos dá um novo nome, gravado em pedra. Precisamos apenas permanecer firmes na fé e firmar nossa identidade em Sua Palavra, que é a espada de dois gumes. Quando obedecemos à Palavra de Deus, demonstramos temor a Ele, e não aos homens. Contudo, aqueles que se rebelam contra Ele temerão essa espada. Eles diluirão e manipularão Sua Palavra para justificar sua desobediência. Por isso, é de suma importância que estejamos na Palavra. E, embora estejamos no mundo — assim como Jesus —, não somos do mundo; somos santificados pela verdade, que é a Palavra de Deus. Devemos evitar concessões e lembrar que a nossa posição pode determinar a postura do nosso coração. Portanto, precisamos estar alertas enquanto permanecemos próximos de Jesus.




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